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 FITOTERAPIA

PLANTAS MIRACULOSAS.

É hora de selva, de substâncias preciosas das plantas. A tendência pelas ervas é crescente.

A proposta de trocar drogas alopáticas 'testadas e aprovadas' pela indústria farmacêutica, por chazinhos do tempo da vovó, pode parecer absurda. Afinal, remédios de ervas pertencem ao passado: não há lugar para tais relíquias na medicina de hoje.
A fitoterapia (do grego, fitos, planta; terapia, tratamento) está em franca expansão no mundo inteiro, e os pesquisadores não cessam de redescobrir vegetais que substituem (com vantagens, em alguns casos) os produtos químicos convencionais.
O uso das plantas para fins curativos é, de longe, a mais antiga forma de medicina praticada pelo homem. Aliás, até os animais a utilizam em caso de aperto. Com certeza, você já viu um cão 'pastar' num gramado para livrar-se de uma indigestão. Ou um gato mascar ervinhas. O hábito existe também entre os grandes predadores selvagens (tigres, leões), de dieta exclusivamente carnívora.
Nossos ancestrais devem ter seguido o mesmo exemplo. Uma tumba descoberta por arqueólogos no Irã, em 1963, comprovou a existência de uma fitoterapia rudimentar há mais de 60 mil anos. O fato nada tem de estranhável, se considerarmos que o mundo vegetal sempre constitui importante fonte de alimentos para a espécie humana; e que o conhecimento das plantas 'boas' e 'más' (saudáveis e tóxicas) acumulou-se pelo método do ensaio e erro. Por esse caminho, os habitantes das cavernas aprenderam também a identificar as espécies curativas.
Por volta do ano 3000 a.C., médicos chineses dispunham de sofisticadas farmacopéias (lista de ervas e suas indicações terapêuticas); algo semelhante ocorria na Assíria e no Egito a 2500 a.C., e, bem mais tarde, na Grécia. Não por acaso, aliás, Esculópio, o deus grego da medicina, tinha como símbolo a serpente, animal louvado por sua habilidade na discoberta de plantas benignas; o emblema, como sabemos, mantém-se até hoje.
Deixando de lado a mitologia, cabe mencionar que existem mais de 350 mil espécies vegetais catalogadas pelos botânicos. Destas, apenas cerca de dez mil são exploradas do ponto de vista medicinal, e um número bem menor mereceu estudos acurados em laboratórios modernos. Só o Brasil tem cerca de 100 mil plantas catalogadas. As utilizadas como medicamento não passam de duas mil.

UMA VERDADEIRA FARMÁCIA NA FLORESTA: Esse desconhecimento nada tem de prejudicial. Ao contrário, com o crescente interesse pela fitoterapia, tudo indica que o extraordinário potencial curativo da ervas será cada vez mais utilizado no futuro.
Na verdade, o herbalismo manteve-se em alta, mesmo na Europa, até o século XVI. Numerosos tratados, desde a Idade Média, compilavam os conhecimentos acumulados ao longo dos períodos anteriores pelas mais diversas tradições farmacológicas.
Coube ao médico e alquimista suíço Paracelso (1493 - 1541) decretar a sentença que relegaria as ervas a segundo plano na medicina ocidental. A partir de então, o herbalismo virou prática doméstica, medicina popular, 'coisa de comadres' - enfim, perdeu a aura de ciência.

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